segunda-feira, 5 de outubro de 2015

IaFeed: Melhores Creepypastas de Games

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Luiz Fernando Menezes — Tails Doll (Sonic R)
Eu não sei vocês, mas para mim, uma boa história de terror tem que englobar uma maldição mortal, uma criança (ou alguma coisa que remeta a uma, como uma boneca) e um ritual de invocação. E a creepypasta de Tails Doll tem tudo isso... em um jogo do Sonic!

Só para entrar no espírito (não o contrário, pelo amor de Deus!), ouça a música tema do Tails Doll. Ouviu? Agora pára e vamos analisar um trecho específico:


“Sem você
Não há nada pra eu fazer
Consegue sentir o raiar também? Vá e prove
Me faz sentir totalmente renovada
Quando você está aqui
Desejo que você estivesse sempre por perto
Porque tudo fica tão mais claro
E hoje, vai ser um dia iluminado

Consegue sentir o raiar do sol?
Ele está iluminando o seu dia?
(Iluminando o seu dia...)
Você não sente que às vezes você precisa fugir pra longe?
Alcance o raiar do sol
Se esqueça da chuva
Apenas pense nos bons tempos e eles virão de novo”


Enfim, se isso não é medonho o bastante, pense que essa música toca SEM PARAR quando você escolhe o Tails Doll. Em todas as fases! Pense que você fica ouvindo essa letra a la stalker infinitamente. Enquanto um boneco mal feita flutua pela pista de corrida!

Agora vamos ao lado mais negro dessa creepypasta: existem duas lendas por trás desse boneco maldito que nunca mais apareceu em nenhum jogo do Sonic. A primeira diz que, se o jogador abrir tudo do jogo e ir em uma corrida com esse boneco e ganhar a track Radiant Emerald, ele vai sair da tela e te matar. Imediatamente. Com ele não tem aquelas baboseiras de “sete dias” da Samara.

Mas essa não é a pior. A segunda envolve um ritual de invocação: depois das 23h, se tranque em um banheiro com espelho, feche todas as janelas, apague as luzes, e coloque para tocar a música tema de Tails Doll ao contrário (que você encontra nesse link). O boneco aparecerá na tela e te forçará a fazer um acordo. Diga não e você morre. Diga e sim e… bem… é bem capaz que você vai morrer também.

Sem olhos, muito alto e bem vestido. Ele pode estar te observando agora mesmo.

Mateus Mognon — Slender Man
Slender Man é uma creepypasta tão famosa que chega a ser confundida com uma lenda urbana, mas é fato: a história nasceu na internet e, de tão boa, se tornou um jogo de terrror. Tudo começou com uma série de montagens na internet. As fotos, que tinham como ambiente um parquinho, mostravam um monte de crianças se divertindo e, ao fundo, um ser esguio, sem olhos e vestido de preto.

Depois disso, vários fóruns no Reddit começaram a espalhar e expandir a história de Slender, um monstro que persegue e se alimenta de crianças, e também pode ser visto em florestas, sempre observando campistas desavisados.

Em 2012, o estúdio Parsec Productions fez um favor para a humanidade e lançou gratuitamente Slender: The Eight Pages, um jogo simples, mas bastante assustador. Você está perdido em uma floresta e deve encontrar oito paginas relacionadas ao desaparecimento de uma criança. Equipado apenas com uma lanterna, o jogador deve sobreviver e não ser pego por Slender, que está te observando a todo momento. O game foi tão recebido que ganhou uma continuação: Slender: The Arrival.



Enfim, se você está em uma floresta com uma lanterna, por favor, nunca olhe para trás, pois com certeza ele está te observando.



João Bosco Cyrino - Hack room de Pokémon Ghost (Pokémon Black)
Esta creepypasta é mais do que um clássico de Pokémon surgido na primeira metade dos anos 2000. Não é só algo feito para assustar: é simplesmente genial. A vida é fácil quando se tem poder. Porém, nem todos estão dispostos a enfrentar os sacrifícios necessários para tê-lo. Treinar durante semanas só para vencer a Elite dos Quatro das três primeiras gerações de Pokémon só com o inicial e, durante todo o jogo, nunca, eu disse NUNCA, usar um item cura ou suplemento? Pra quê? (Ok, eu era uma criança teimosa e isso foi a custa de muitas pilhas azuis Panasonic. De nada, meio-ambiente). O fato aqui é que Pokémon é um jogo que exige competência e esforço do jogador. Não existe essa de recompensa à toa (a não ser que você vá aos Cassinos. Aí se prepare...).

Pokémon Black explora esta fraqueza do ser humano. "Difícil?", "Eu posso ajudar", "Tenho algo aqui perfeito pra você!". Como se estivéssemos falando com um traficante, esta Creepy Pasta se apresenta a nós como "Bel" se apresentou a Fausto — ótima na peça teatral de Goethe. A tentação, a luxúria pelo humano... O poder. A vontade de ser e o finalmente a capacidade de sê-lo.

Porém, nunca esqueçamos, "Tudo tem seu preço". Novamente: TUDO tem seu preço.

É uma construção narrativa que mistura jogos eletrônicos e a vida real digna de fazer Adam Sandler gritar como uma colegial de filme trash dos anos 80. Seu clima de mistério é constante. Subjetivamente o jogo lhe leva a enfrentar a ascensão e a queda de você, jogador, como ser humano. O caminho mais fácil sempre tem seu preço. E no momento em que nos damos conta disso tentamos fingir que somos diferentes. Que somos melhores do que isto. Que somos "pessoas boas". Porém, para um coração que anda nas trevas do pior da raça humana - e segundo o jogo, todos o temos - o final é sempre o mesmo. Podemos fugir, podemos tentar evitar ao máximo a escuridão de nossa vida e o brilho do sofrimento eterno. E dá certo... Por um tempo. Só que, eventualmente sempre, SEMPRE somos alcançados pelo fantasma da natureza abissal que somos.

Pokémon Black contém o fabulário da queda da humanidade ao longo das eras. E pode demorar, mas o meu, o seu e o Ghost de todos nós há de nos alcançar. E não há nada, NADA que possamos fazer. O fim sempre virá.

Isto é Pokemon Black.

...

Certo, certo, posso ter exagerado um pouco acima. Tá bom, posso ter exagerado MUITO. Porém tudo isto foi um lembrete da criatividade (doentia) da mente humana na internet. Ao final o cerne das creepypastas se resume a isto: quão longe nossa imaginação coletiva dispersa pela web pode afetar a imaginação individual. Em um mundo regrado de factualidades esta é a escapatória humana para um retorno das lendas do passado. E, em minha opinião, Pokemon Black é um melhores e mais completos exemplos destas novas velhas lendas que tivemos nestes vinte anos de internet no Brasil.

Para os que não conhecem, aqui está um vídeo para conhecerem melhor esta belezinha.



Tadeu Mattos - Ben Drowned (The Legend of Zelda: Majora's Mask)
Não vou colocar aqui a história inteira de Ben Drowned, vou fazer apenas um pequeno resumo já que ela é extremamente extensa. Se você se interessou, leia a história completa, escrita por Alex Hall, também conhecido por “jadusable”. Deixo aqui o link da creepypasta e o canal do youtube do autor, importante para quem quiser ter a experiência completa.

O conto começa com o autor comprando uma cópia do jogo The Legend of Zelda: Majora's Mask de um senhor em uma venda de garagem. Como sempre acontece em creepypastas, seu jogo havia sido possuído por um Fantasma. Neste caso foi de um menino afogado chamado Ben.

Apesar do cartucho parecer esquisito por fora, já que era totalmente cinza escrito em marcador permanente Majora's Mask, o jogo funcionava normalmente. Aconteciam apenas algumas texturas e flashes de tela durante cutscenes, porém isso não era nada demais. O que começou a preocupar Alex foram os diálogos do jogo ,os NPCs chamavam Link de Ben durante algumas linhas de texto e ,as vezes, não mencionavam o nome do personagem.O jogo só foi ficando mais estranho a partir do quarto dia na história de Majora’s Mask. Um personagem igual ao Link, porém imóvel e com uma expressão perturbadora começou a aparecer no game, incinerando o personagem principal e o teletransportando para fora do mapa. Quando Hall tentou resetar seu console, o jogo continuava na tela, se comunicando com o jogador por diálogos de texto e risadas do clone de Link.

Olha, não vou dar mais spoiler. Devo dizer denovo: se você se interessou pelo conto,LEIA. Porque essa é uma das melhores creepypastas escritas na internet. Depois de ler, você não vai mais conseguir jogar Majora's Mask sem aquela sensação de que tem alguém te observando. AH, esqueci de avisar, caso tenha vontade de conferir essa obra de terror, NÃO LEIA DE MADRUGADA, eu fiz isso e me arrependo profundamente.



Vinícius Bressan - Pale Moon 
Gostaria de começar com uma citação a uma célebre pensadora, “Eu tenho medo” (DUARTE, Regina). Creepypastas podem ser bem interessantes, algumas são demonstrações de uma baita imaginação e pensadas de forma convincente, ao trazer elementos que casam bem com o próprio jogo. Apesar disso a maioria delas não tem tanto potencial para causar medo em alguém sem crenças sobrenaturais, afinal não é todo mundo que acredita em espíritos, maldições e cia. Mas Pale Moon é diferente.

Não vou entrar em detalhes, afinal é uma das creepypastas mais famosas que rolam por aí, mas estamos falando de um suposto jogo caseiro de aventura em texto, distribuído em disquetes, extremamente desinteressante e bugado, que no final revelava um número cujas coordenadas levaram um jogador ao lugar onde estava enterrada a cabeça de uma menina. Sem fantasmas, sem maldição, sem monstros, só alguém que decapitou uma menina, enterrou a cabeça, e depois fez um jogo sobre isso em que a tal Lua Pálida é uma metáfora para a pele clara e os cabelos brilhantes da vítima.

Pensar que isso pode ser verdade (ainda que provavelmente não seja), que é algo absolutamente possível de acontecer, me dá muito medo. Muito medo mesmo, do tipo de ir assistir desenho para conseguir dormir tranquilo depois de reler a creepypasta. Toda a ideia de ser um jogo distribuído em mídia física, com número de cópias muito limitado, dos bugs intencionais e da falta de instruções que impediam o avanço dos jogadores, da incompreensibilidade dos acontecimentos, criam algo realmente medonho.

Ui, credo. Vou até parar com esse texto e ir jogar um Zeldinha que isso não é pra mim.
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Escrito por

Núcleo de jornalismo de tecnologia e games da Universidade Federal de Santa Catarina. Criado por estudantes, coordenado por estudantes e mal redigido por estudantes

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