terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Análise: This War of Mine

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Não é novidade quando algum produto de entretenimento utiliza a apuração jornalística, principalmente o documentário, como base do projeto. Um bom exemplo (e bota “bom” nisso) é o filme Valsa com Bashir, filme israelira que utiliza entrevistas dos sobreviventes da Guerra do Líbano de 1982 como pretexto para a animação do filme. É possível citar também os newsgames, que são jogos eletrônicos baseados em acontecimentos reais, e que estão ganhando cada vez mais espaço nos jornais digitais.

E o que This War of Mine tem a ver com isso? O jogo da 11 bit Studios, se não for o primeiro, é o melhor exemplo de “doccumentarysgame” (termo criado por mim): ele não tem o propósito de divertir o jogador, mas sim de mostrar a experiência mais próxima dos civis que vivem durante uma guerra civil, baseando-se no Cerco de Saravejo. Falta comida, a eletricidade não é suficiente para todas as pessoas, a polícia não consegue garantir a segurança, farmácias e hospitais não recebem mais estoques e as pessoas, por mais que acabem se unindo em pequenos grupos, colocam a própria sobrevivência em primeiro lugar - e, consequentemente, a vida dos outros em segundo.

A jogabilidade de This War of Mine é simples: o jogador deve prezar pela vida de vários personagens que estão instalados em um pequeno sobrado abandonado e destruído. De manhã, eles tem que cuidar da própria saúde, comendo restos de comida ou enlatados e tomando remédios para não ficarem doentes; construir utensílios e móveis para deixarem a “casa” mais confortável e o descanso mais rápido; colocar cercas e barricadas para impedir que saqueadores ataquem; trocar itens com os vizinhos - que pedem mais do que dão; ou até consolar um dos sobreviventes para que eles não percam a calma e entrem em uma depressão profunda.





A noite, por sua vez, não é tão calma. Um dos sobreviventes sai para coletar suprimentos enquanto os outros ficam no sobrado para vigiar ou descansar. O “coletor” escolhe apenas um local para pegar suprimentos e vai com a cara e a coragem (quando não está armado, claro). Os locais podem estar vazios - tanto de pessoas como de comida e remédios -, com algumas pessoas amigáveis, com idosos indefesos, com civis hostis e armados ou até com psicopatas. Cada noite é diferente da outra, mas o objetivo é sempre o mesmo: sobreviver.

Para ajudar a construir a atmosfera hostil, This War of Mine possui uma arte gráfica sombria e simples e uma trilha sonora calma, para a nossa surpresa, já que as músicas dos dois trailers eram bem “agitadas” emocionalmente. A maioria do gráfico é preto e branco, deixando as cores para dar destaque aos perigos, como ondas sonoras de passos, sangue espirrado e incêndios. Enquanto a música não passa de pequenos sons únicos e instrumentais que está lá apenas para não deixar o silêncio tomar conta.


Nunca dá para prever o que o personagem irá encontrar nesses casarões aparentemente abandonados
Quem gosta de jogos com roteiro bem elaborado pode não curtir a pegada diferente de This War of Mine. O jogador faz a sua própria história no meio de uma guerra fictícia, mas que é muito inspirada no mais longo cerco da história. Inclusive as cenas que podem ser vividas durante o game são retiradas dos depoimentos de quem viveu o Cerco de Sarajevo. Por mais que o jogo não possua uma linha narrativa com começo meio e fim, This War of Mine possui um roteiro genial. Não importa as escolhas do jogador, sempre a guerra continuará e será um acontecimento maior do que você. O jeito, então, é se proteger da melhor maneira possível para que, quando alguma tragédia acontecer (e, acredite, vai acontecer), você não perca tudo que suou tanto para conseguir.
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Escrito por

Núcleo de jornalismo de tecnologia e games da Universidade Federal de Santa Catarina. Criado por estudantes, coordenado por estudantes e mal redigido por estudantes

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